FRFR: o que é e por que isso importa para o guitarrista moderno
O que é FRFR?
FRFR é a sigla para Full Range, Flat Response — em português, algo como "resposta plana em faixa completa". Mas esquece o termo técnico por um segundo e pensa assim:
Imagina que você gravou um áudio perfeito no seu modeler — aquele som de Marshall dos anos 70, com toda a gordura e presença que você passou horas ajustando. Agora você quer ouvir isso em um alto-falante de verdade, no palco ou no estúdio.
Se você plugar em uma caixa de guitarra comum, ela vai colorir esse som. Todo falante de guitarra tradicional tem uma personalidade — ele corta certas frequências, ressalta outras. É exatamente isso que faz uma Greenback soar como uma Greenback. Mas aí está o problema: você já tem a simulação da Greenback dentro do seu modeler. Se a caixa adicionar mais cor em cima, você está sobrepondo dois caracteres ao mesmo tempo — e o resultado raramente é o que você programou.
O falante FRFR resolve isso. Ele é projetado para não ter personalidade própria — reproduzir o sinal exatamente como chegou, sem cortar, sem ressaltar, sem mentir. É como ver uma foto em um monitor calibrado em vez de um monitor com contraste e saturação no máximo.
Os dois tipos de caixas FRFR para guitarra
Quando falamos de caixas FRFR no mundo da guitarra — não monitores de estúdio ou sistemas de PA — existem dois tipos principais no mercado:
Tipo 1 — Caixa construída em torno de um falante FRFR nativo
Aqui o próprio falante já nasce com a capacidade full-range. A extensão de frequência está resolvida dentro dele, seja por tecnologia de cone (como triplo cone), whizzer cone customizado ou DSP integrado ao sistema. A caixa é projetada e construída especificamente para aquele falante — dimensões, volume interno, tipo de fechamento — tudo pensado para ele trabalhar no seu melhor.
É o tipo com o qual eu trabalho. É também o mais coerente para uso com modelers e profilers, porque mantém a cadeia de sinal simples e a construção da caixa otimizada. As caixas FRFR da Mojoboard seguem todas esse princípio.
Tipo 2 — Caixa com falante tradicional + driver HF externo
Aqui a solução full-range é construída fora do falante: um woofer convencional cuida dos graves e médios, e um driver de compressão separado (geralmente montado no horn ou no centro do baffle) cobre as altas frequências. Um crossover passivo divide o sinal entre os dois.
Esse modelo é mais comum em monitores de palco, sistemas de PA e algumas caixas ativas voltadas para modelers — como as que você vê da Headrush, Friedman ASM e similares. São soluções válidas e muito usadas, mas ficam fora do escopo do que vou aprofundar aqui, já que não fabrico esse tipo.
Os falantes FRFR disponíveis hoje — e as diferenças que importam na prática
No mercado atual, três falantes se destacam quando o assunto é FRFR nativo para guitarristas: o Kemper Kone Neo, o Celestion F12-X200 e o Celestion F12M-150. Os três foram fabricados pela Celestion — o Kone a pedido da Kemper, os outros dois sob a marca Celestion diretamente.
Abaixo, uma comparação dos pontos que realmente fazem diferença no uso:
| Característica | Kemper Kone Neo | Celestion F12-X200 | Celestion F12M-150 |
|---|---|---|---|
| Tecnologia HF | Whizzer cone customizado | Driver de compressão + crossover passivo | Triple cone (2 cones auxiliares integrados) |
| Extensão de frequência | Até ~10 kHz (rola como guitarra) | Até 20 kHz (mais próximo de monitor) | Até ~12 kHz (meio-termo) |
| Compatibilidade | Exclusivo para o Kemper Profiler | Qualquer modeler ou profiler | Qualquer modeler ou profiler |
| Sensação de toque | Muito próxima de uma caixa de guitarra real | Alta fidelidade, mais analítica | Próxima de guitarra, levemente mais aberta |
| Resposta de graves | Equilibrada | Mais encorpada | Mais controlada |
| Peso | Muito leve (ímã de neodímio) | Mais pesado | Leve |
| Perfil de uso | Usuário Kemper que quer "amp in the room" com imprints | Qualquer rig — máxima fidelidade ao IR/cab sim | Qualquer rig — alternativa mais compacta e acessível |
Sobre o Kemper Kone Neo
Ele tem um diferencial único — a integração com o firmware do Kemper Profiler permite ativar 19 imprints de alto-falantes clássicos (Vintage 30, Greenback, etc.), fazendo o Kone se comportar como cada um deles. Esse recurso só funciona com o Kemper. Para qualquer outro modeler, ele opera como FRFR convencional. É o falante usado nas Mojo 1x12 KK e KK Power.
Sobre o F12-X200
É o falante com a resposta mais estendida dos três. Isso significa maior fidelidade ao que está no IR ou no cab sim — mas também que qualquer imperfeição no seu patch vai aparecer. É o falante das Mojo Multitone e Multitone Power.
Sobre o F12M-150
É a solução mais versátil em termos de caixa. Por ter resposta um pouco mais curta no agudo (chegando a ~12 kHz em vez de 20 kHz), ele soa naturalmente mais "guitar speaker" — o que para muita gente é exatamente o que se busca. É mais compacto e leve que o X200.
Conclusão
FRFR não é modismo — é a resposta lógica para quem investe em modelagem e quer ouvir o resultado real do seu trabalho, sem o filtro de uma caixa com caráter próprio.
Os três falantes que apresentei aqui são os principais do mercado para quem quer construir uma caixa de guitarra FRFR de verdade — não um monitor de PA disfarçado, mas uma caixa feita para guitarrista, com sensação e comportamento de instrumento.
É exatamente isso que destrincho no próximo post: qual caixa FRFR Mojoboard escolher para o seu modeler — como cada projeto foi pensado, por que as escolhas de construção fazem diferença e qual delas faz mais sentido para cada tipo de uso.
Ficou com dúvida sobre algum dos falantes? Deixa nos comentários.
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